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Se quer tirar mel, não espante a colmeia

Atualizado: 23 de fev. de 2020

Quem já leu Como fazer amigos e influenciar pessoas deve ter notado essa frase: se quer tirar mel, não espante a colmeia. Esse é o título do primeiro capítulo da obra de Dale Carnegie e pretendo trazer algumas reflexões sobre. O cerne dessa frase para ser exata, quer dizer:

Se quer extrair o melhor de uma pessoa, não a critique.

O primeiro aspecto que não pude deixar de perceber é a menção às pessoas com distúrbios severos de personalidade, como elas não se apercebem dessa maneira. Carnegie cita alguns episódios, como a caçada a um assassino em NY, chamado Crowley, alcunhado "Two Gun". Antes de ser pego ele escreveu uma carta que dizia" a quem possa interessar: debaixo do meu casaco há um coração cansado, mas bondoso- um coração incapaz de fazer mal a qualquer pessoa". Isso me fez pensar: teria sido ele vítima de alguma injustiça? Poderíamos ter sido iludidos por essas palavras se não fosse a continuação do capítulo.

Pouco tempo antes, namorava Crowley em uma estrada no campo, quando foi parado por um policial. Sem pensar duas vezes, sacou sua arma e atirou, saiu do seu carro, pegou a arma do policial agonizante e deu outro tiro. Esse era o assassino que se dizia incapaz de fazer mal a qualquer pessoa.



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Esse episódio me lembrou uma história: quando eu estava iniciando minha carreira, trabalhei com uma pessoa. Ela era capaz de apunhalar pelas costas quem ousasse atravessar seu caminho, mas à primeira vista, totalmente linda e sedutora, incapaz de fazer mal a uma mosca. Uma outra vez me deparei também com um superior, ele era capaz de mentir, trair, usurpar, denegrir, mas uma vez ouvi sair da boca dele, eu sou uma pessoa muito bondosa, tem muita gente contra mim, mas Deus está ao meu lado.

Sempre pensava que o psicopata era aquele que matava sem remorso, até que entendi que a psicopatia nem sempre está ligada a esse tipo de crime.

Quando pensamos no mundo corporativo, com quantos psicopatas nos deparamos ao longo de nossa carreira?

São pessoas sociáveis no geral, ligadas a cargos de competência social e liderança, mas manipuladores, traiçoeiros, sem qualquer culpa ou empatia e odeiam ser contrariados. Carnegie frisa:

"poucos criminosos (...) consideram-se más pessoas. Se Al Capone, Crowley (...) e os homens desesperados que se acham atrás das grades da prisão não se recriminam por coisa alguma- que diremos acerca das pessoas com as quais vocês e eu diariamente estamos em contato?"

Sendo assim, o autor entende a crítica como inútil. Diz ele que homens não se criticam, eles buscam encontrar uma justificativa. Carnegie considera a crítica fútil, pois coloca o homem na defensiva, fere seu orgulho, alcança seu senso de importância e gera ressentimento.

Certa vez aprendi uma técnica com uma diretora que tive, ela me disse assim:

Roberta, quando sentir vontade de brigar, mandar mensagem ou e-mail exaltados, escreva tudo o que vem à cabeça, depois disso, saia dê uma volta, tome um chá. Quando retornar, analise se o que escreveu edificará. Se a resposta for não, delete. Se a resposta for não sei, guarde e deixe para falar no outro dia.


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Essa lição nunca mais esqueci. Segundo Skinner, psicólogo, de acordo com seus experimentos, a recompensa é melhor que o castigo para reforçar um comportamento. Para Dale também. Assim, a mensagem desse capítulo é:

Julgue menos, elogie mais.

Benjamin Franklin, destemperado na juventude, tornou-se diplomata. O segredo?

" Não falarei mal de nenhum homem (...) falarei tudo de bom que souber de cada pessoa".

Dale finaliza pedindo empatia: " em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade."

E você? Conhece alguém que precisa mudar? Consegue dar um conselho amoroso a essa pessoa? Faça o teste e escreva o melhor conselho que puder.

Agora, troque o nome da pessoa pelo seu. 

Antes de querermos que o outro mude, que tal começarmos por nós mesmos?

Como disse Confúcio: "Não se queixe da neve no telhado da casa do seu vizinho, quando a soleira da sua porta não está limpa".




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